Dólar fecha estável, a R$ 2,187, após bater em R$ 2,205

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006 08:52

Após voltar ao nível de R$ 2,20 pela manhã, o dólar terminou a quarta-feira no mesmo preço de fechamento da véspera, a R$ 2,187, em um dia de fraco volume de negócios.

Na roda de dólar pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros, o último negócio desta sessão foi feito a R$ 2,186.

Segundo analistas, o mercado à vista ficou praticamente parado na parte da tarde e o volume baixo de negócios deu espaço para o dólar ceder. Pela manhã, a divisa norte-americana chegou a subir 0,82% na máxima, a R$ 2,205, com remessas de recursos.

A paralisação dos funcionários do Banco Central também contribuiu para o volume reduzido de negócios.

"Mercado teve pouco negócios e também o Sistema do Banco Central ficou lento à tarde, um pouco travado, e daí o mercado quase não operou, com receio de não ter tempo de registrar", disse José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação.

Os funcionários do Banco Central estão em greve por 24 horas. A paralisação dificultou a divulgação de dados como reservas internacionais, taxa de dólar no segmento interbancário - publicada normalmente a cada trinta minutos das 9h30 às 16h30.

Mesmo com a greve, o BC atuou no câmbio. No leilão de compra feito perto do fechamento, a autoridade monetária aceitou sete propostas, com taxa de corte a R$ 2,1875. Já no leilão de swap cambial reverso, o BC vendeu a oferta total de 4.550 contratos, equivalentes a US$ 214 milhões.

De acordo com o gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que não quis ser identificado, o desempenho positivo dos títulos da dívida externa brasileira e o declínio do risco Brasil na parte da tarde também contribuíram para a melhora no câmbio.

O mercado de dívida acompanhou nesta quarta-feira o leilão dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, que teve resultado dentro da média das operações do ano passado.

Mercado cauteloso
"Mas hoje estava muito parado... o mercado também está um pouco com o pé atrás em relação às medidas que vêm sendo estudadas para o câmbio", acrescentou o gerente.

Entre as propostas diversas, está em estudo pelo governo a possível isenção da cobrança de Imposto de Renda aos investidores estrangeiros sobre os ganhos nominais nas aplicações em renda fixa.

Também foi apresentada uma outra proposta que, entre outras coisas, busca acabar com a cobertura cambial, ou seja, os exportadores não precisariam mais ter que trazer para o país em um determinado período os recursos das exportações.

"As opiniões divergem, são medidas polêmicas, a princípio, por exemplo, acham que teria um fluxo (de entrada) maior com a isenção, mas também não se verificou a demanda por esses títulos brasileiros", explicou o gerente.

Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com representantes do mercado para discutir detalhes da possível isenção, que poderá ser anunciada já na próxima semana.

Fonte: Invertia / Terra

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