terça-feira, 10 de janeiro de 2006 08:59
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, prestigiou a política econômica do Brasil nesta segunda-feira, ao afirmar que o País "não tem há mais de uma geração uma oportunidade tão boa como tem hoje de assentar-se num caminho de crescimento". Em manifestação de apoio às polêmicas metas de ajuste fiscal e controle da inflação por meio de juros altos, o chefe do FMI afirmou que o Brasil "conduz com competência" a economia e crescerá mais em 2006, com "menos inflação".
Rato fez as declarações ao jornal O Estado de S.Paulo ainda em Paris, pouco antes de embarcar rumo ao Brasil, onde participa, nesta terça-feira, de solenidade em Brasília na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá formalizar a decisão de pagar com antecedência mais de US$ 15 bilhões de dívidas ao Fundo.
As afirmações de Rato põem fogo no debate sobre os rumos da economia brasileira, depois de 2005 apresentar índices modestos de crescimento. Lula tem sido pressionado por membros do próprio governo e do PT para flexiblizar a política fiscal, reduzindo as metas de superávit primário (economia para pagar juros da dívida externa), a fim de liberar investimentos em infra-estrutura e na área social.
Rodrigo de Rato é um defensor da política orquestrada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Para ele, os "esforços" para manter a estabilidade começarão a dar mais frutos a partir desse ano. Mas, salientou, o Brasil precisa continuar a reduzir sua dívida externa e alongar os prazos de vencimento, para reduzir mais o risco-país e atrair maior capital estrangeiro.
"O Brasil caminha para converter-se num economia de confiança, que avança rumo a um grau de investimento, o que produzirá uma redução substancial nas taxas de juros e do custeio da dívida. E permitirá avançar rumo a uma modernização de sua economia que lhe possibilitará competir na globalização e manter taxas de crescimento que são o único caminho para reduzir a pobreza", avaliou, minimizando a "ajuda" que o cenário internacional favorável deu ao projeto brasileiro. Para o dirigente, a economia global continuará a crescer como um todo em 2006.
Fonte: Invertia / Terra
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